Ultimamente tenho trabalhado mais como gerente de projetos do que consultor na área de BI e DW, o que tem me dado uma perspectiva interessante para avaliar a situação e uso de ferramentas de BI dentro das organizações.
Toda a vez que vejo um BI, DW, MIS ou o que valha, tento entendê-lo tecnicamente e do ponto de vista de negócios. O que tem me surpreendido é que a maioria deles são um conjunto de cubos, relatórios e planilhas com alguma estrutura. Alguns mais sofisticados e outros menos. Processos de ETL não totalmente alinhados com o fluxo corporativo de informações, o que acarreta em informações de baixa qualidade e relatórios pouco confiáveis. Normalmente dentro de uma mesma organização temos áreas com um conjunto de ferramentas bem sofisticado e outras trabalhando com relatórios pré-formatados.
Os usuários normalmente não se incomodam com a forma como as informações chegam a eles, o fundamental para eles e ter a informação necessária para a tomada de decisão. Conversando com estes usuários, vejo que em alguns casos eles não conhecem as possibilidades para disponibilidade e distribuição de informação, ou se conhecem, tem outras prioridades na frente.
Com base nesta percepção, pensei nas origens dos projetos de DW e BI nas grandes empresas, e, tive a impressão que a maioria deles foi desenvolvida, ou bancada por TI, o que pode explicar, pelo menos em parte a situação dos projetos. O que eu quero dizer é que do ponto de vista técnico, TI tende a escolher A GRANDE FERRAMENTA que irá solucionar todos os problemas de seus usuários. De forma ambiciosa e com excelentes intenções vendem internamente o projeto para uma área, que compra a idéia e implanta um projeto de sucesso e com desempenho esperado. O Problema acontece que a expansão posterior deste projeto fica prejudicada por diferentes fatores, que variam do preço da licença até questões políticas onde uma área não se dispõem a “bancar” o projeto de outra área.
Por que isto acontece? Ao que me parece, o que falta é:
1 – Planejamento corporativo para o uso e distribuição de informação e as necessidades especificas das diferentes partes de uma organização.
2 – Definição de ferramentas (sim, é no plural, o Cristal não resolve tudo) e padrões básicos, simples e de baixo custo para disponibilização de informação a maior parte da organização, que não necessita de formas sofisticadas de analise.
3 – Pensar em montar um DW corporativo para ser a fonte de todas as ferramentas da organização. E que possa crescer com a empresa, e o mais importante com um PROCESSO DE ETL bem montado e de manutenção simples. Para garantir a qualidade da informação.
4 – construir um plano de implantação que incorpore toda a visão da empresa e que possa ser dividido e atacado conforme as necessidades.
5 – Educar o usuário sobre sua necessidade e como ela pode ser acessível.
6 – TI Não deve ser o grande sponsor do projeto, sob o risco deste nunca terminar.
7 – planejar o máximo possível antes de iniciar o projeto, sob o risco de ter de refaze-lo, o que poderá expandir o custo exponencialmente, invalidando a continuação do projeto.
8 – sempre que iniciar uma nova etapa, criar métricas de acompanhamento para mostrar os resultados posteriormente e continuar a garantir dinheiro para o projeto.
9 – O ETL não pode ser um projeto exclusivo para BI, deve ser de toda a área de TI, e deve ser baseado em arquiteturas de distribuição de informação entre sistemas, que facilitem sua manutenção e modificação, conforme a evolução do negócio.
10 – Se o ambiente de inteligência a ser montado não for flexível e capaz de ser modificado sem impactos significativos, toda mudança de negócios será uma dor de cabeça podendo acarretar toda a reconstrução da parte afetada do sistema, impactando nos prazos do projeto e sua credibilidade.
Podemos não ter todas as partes montadas ou planejadas no inicio de um projeto, mas precisamos ter estes pontos em mente para garantirmos a continuidade e a construção de um ambiente que gere aumento de vendas e redução de custos para a organização, que afinal é sempre o grande objetivo de um projeto de BI.
Qual a sua opinião? Discorda? deixe registrada sua opinião, experiencia ou divergência. vamos trocar informações e opinões de forma a amadurecermos cada vez mais o mercado nacional de BI.